O Milagre do Amor

16/03/2010 08:26

 Elza e Mário, um pacato casal que morava em um pequeno Município do interior, pais de Nelson e Nilza, que viviam do trabalho da roça, plantando e colhendo milho, ora apanhando café. Assim, apesar do trabalho duro do campo, a vida lhes transcorria normalmente, até que um dia, Má­rio sofre um acidente no trabalho, e vem a falecer, deixando Elza viúva e o dois filhos órfãos Elza, com a tarefa de criar os dois filhos, para se sustentarem, começou a trabalhar na cidade, deixando para Nilza os afazeres de casa e ainda cuidar de Nelson, que era mais novo. Até que um dia. quando Elza já cansada, à tardinha, chega em casa e depara com o filho acamado, e, Nilza preocupada, pois. Nelson estava perdendo as forças nas pernas, que só foi piorando, até não poder mais andar. Elza o levou ao medico, o qual fez de tudo para que Nelson voltasse a andar, mas foi tudo em vão. Não con­seguiu descobrir a sua doença, que o deixou assim paralítico, para o desgosto de sua mãe e de sua irmã Nilza. Elza não se conformava com a doença do filho, mas, apesar de tudo, se assim era a von­tade de Deus, continuou a trabalhar na cidade, deixando a árdua tarefa de olhar o irmão para Nilza, que mesmo sendo pequena, ainda carregava Nelson para todos os lados, dando-lhe de comer e de beber, banho, enfim, passou a ser a sua segunda mãe. Assim foi por muitos anos, até que Nilza. já moça, tinha vontade de namorar e de se casar, mas, quando pensava em Nelson, o quanto ele havia se apegado a ela, pois, só conseguia a viver pela dedicação e o amor da irmã, deixando às vezes de lado a própria mãe. Nilza conseguiu até mesmo arranjar alguns namorados, mas dizia logo: tenho uma missão de olhar meu irmão que é paralítico, pois, hoje sou as suas pernas, e, tenho de cuidar dele até o final. Não posso deixá-lo. A minha mãe é que trabalha para nos sustentar. Somos muito pobres. Essa era a sua condição de namoro, e o namorado tinha de compreendê-la, aceitando a companhia de Nelson, mas, vários rapazes que tentavam namorá-la, logo desistiam. Nilza sempre conversava com a mãe sobre sua intenção, e esta lhe dizia: paciência, minha filha um dia nós vamos vencer. Nilza. com o passar do tempo, começou a ficar triste, e Nelson que percebia qualquer mudança de comportamen­to da irmã, um dia chamou-a e disse: minha irmã, está muito mais perto o seu casamento do que você imagina, porque, eu creio, e tenho fé, que Deus na sua infinita bondade, fará ainda aparecer um rapaz de enorme coração e de grande compreensão, e você vai se casar com ele, e eu ficarei com a mamãe c esperarei sempre ela chegar do serviço. E assim aconteceu. Apareceu mesmo o tal rapaz, e Nilza logo se entendeu com ele, e começaram o namoro. Nilza lhe contou toda sua história. Sorridente, o moço lhe diz: isso não é problema, quero conhecer logo o seu irmão. Nilza, passado alguns dias, convidou o rapaz para ir a sua casa. e o rapaz aceitou o seu convite Chegando, ela apresentou à sua mãe c ao seu irmão, de quem falara. Conversaram bastante e o Rapaz, que chamava-se Paulo, acabou se tor­nando amigo de Nelson Depois desse dia, Paulo ia quase todos os dias namorar Nilza e ver o amigo Nelson. Passado mais alguns meses, Paulo pede a mão de Nilza em casamento a sua mãe, que a con­cede, e, muito contente e cheia de entusiasmo, diz ao Nelson: meu filho; Sua irmã vai mesmo se ca­sar. Nelson, num misto de choro e alegria, diz à mãe de todo o seu coração: quero que Deus a aben­çoe e a faça feliz, é o que eu mais desejo a ela. Assim, Paulo e Nilza, marcaram o casamento Tudo estava muito bem, mas, Nelson que às vezes se esforçava para andar e não conseguia, ficava cada vez mais preocupado, pois sabia que Nilza, após seu casamento, não podia mais ficar ao seu lado. Chega o dia do casamento. Por um lado, Nilza, cheia de alegria e felicidade, por ir se casar, mas, por outro, a tristeza lhe batia no peito ao ver o irmão que não andava. Nilza chegou até mesmo pensar em desis­tir de tudo, mas, o amor que sentia por Paulo se tornara grande demais, e, o que fazer? Pensava ela. Não posso desistir de zelar pelo o meu irmão, mas, também não posso deixar de amar Paulo. Então, que seja feita a vontade de Deus! Nilza aprontou para o seu casamento. Nelson pediu para que, na hora do casamento, pusesse a cadeira dele bem perto do altar e assim foi feito. Nilza já no altar, com o noivo, Nelson e a sua mãe, pouco mais atrás, sentados. Nelson na cadeira de rodas, todos muito satisfeitos, muita gente no casamento. E assim, no final do casamento, quando o Padre ao terminar a cerimónia disse aos noivos: eu vos declaro marido e mulher, Nelson, em sua cadeira, suspira forte c com muito esforço, para o espanto de todos, consegue ficar em pé, e começa a andar. Ainda que meio cambaleante, vai, ao encontro da irmã para abraçá-la. Os convidados, meio que atordoados, por ve­rem Nelson andando, aplaudem calorosamente e gritando de alegria, diziam: milagre, milagre, o mi­lagre do amor. Nelson em pé, já no altar, junto da irmã querida e do seu marido, chorando de emoção e de alegria, agradece a Deus de todo seu coração e se dirige aos convidados, dizendo: nunca desis­tam, nunca deixem de amar, nem deixem de acreditar em Deus, que é o nosso verdadeiro pai. pois Ele está sempre presente, nos bons e nos maus momentos. PRATÁPOLIS-MG, 05/06/2009.

 

Historinhas fictícias de René Belluomini

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